Desmascarar os grandes mitos da humanidade - parte I
O homem já esteve na lua.
Em primeiro lugar, os americanos teriam chegado numa manhã e, como toda a gente sabe, a lua só aparece à noite. Depois, naquela altura estava em quarto minguante, fazendo com que houvesse muito menos terreno para aterrar. Muita gente nos próprios EUA não acredita nesta história e há quem comprove que tudo não passou de um filme encenado num deserto qualquer. O próprio nome do homem que supostamente pisou pela primeira vez solo lunar é típico de um actor de Hollywood: Neil Armstrong. Para mim, aproveitaram as imagens de uns sujeitos amaricados vestidos de marcianos, aos pulinhos no carnaval. Não sei como é que querem que uma pessoa normal acredite que um ser humano pode respirar com aqueles fatos enormes em cima. Podiam fazer a coisa mais real e pôr os homenzinhos a dizerem palavrões e a cuspirem para o chão, como qualquer bom pai de família português. Sei que é tudo mentira por experiência própria: conheço a lua melhor que ninguém e até ando muitas vezes por lá – pelo menos é o que diz o meu patrão.
A Terra é redonda
Se o nosso planeta fosse mesmo redondo, as pessoas do hemisfério sul caíriam pelo espaço fora ou, pior ainda, escorregavam até ao polo sul. Ainda por cima, esta enormidade foi provada por um português: o navegador Fernão de Magalhães, ao dar a primeira volta ao mundo num barquito. Provavelmente, como qualquer vulgar lusitano habituado a falcatruas, arranjou um esquema para sacar dinheiro gratuito. A forma como o fez é fácil: apanhou um avião até às Canárias e ficou lá uns anitos em férias à custa do Estado (felizmente foram os contribuintes espanhóis a serem enganados); algum tempo mais tarde, fez um cruzeiro até aos Açores e aí arranjou uma nau para poder chegar triunfador ao continente. E assim o mundo viveu com uma presunção estúpida durante séculos. Muito mais tarde, no século vinte, interessou aos americanos continuar com a mentira de que o homem não está no centro do mundo – se assim fosse, não poderiam ter feito tanto dinheiro com filmes sobre extraterrestres. Assim, o mesmo povo que tentou vender a ideia que esteve na lua, arranjou umas fotos de uma bola de futebol azul com manchas brancas e disse a toda a gente que aquilo é a Terra – o maior apoiante desta falsidade foi o presidente Pinto da Costa, iniciando na altura um império que dura até hoje.
segunda-feira, abril 26, 2004
segunda-feira, abril 05, 2004
Resultados da votação "Os advogados da Casa Pia são..."
Simlpesmente advogados...........................................................47%
Uma doença............................................................................21%
Uma micose.............................................................................19%
Um vírus..................................................................................14%
Continue a participar, porque votar é um dever cívico!
Simlpesmente advogados...........................................................47%
Uma doença............................................................................21%
Uma micose.............................................................................19%
Um vírus..................................................................................14%
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sexta-feira, março 19, 2004
Alerta Geral!
Ultimamente não tenho dormido nada e a culpa é dum e-mail que recebi. Já não bastavam as preocupações que tenho por causa do Governo, do estado da Justiça e da Saúde em Portugal, das crónicas do Marcelo na TVI e das escolhas do Scolari. Agora fiquei a saber que não estou seguro em nenhum lado e tenho andado aterrorizado.
Normalmente nem abro a maioria do meu correio electrónico, por causa das campanhas de sites pornográficos ou, pior ainda, dos comentários sobre o que aqui escrevo. Às vezes recebo uns avisos esquisitos para as pessoas terem cuidado com fraudes nos telemóveis e coisas do género. Não costumo acreditar nesse tipo de coisas e muito menos faço o que me pedem e reencaminho-os, mas desta vez acho que é importante alertar a população em geral, até pela credibilidade óbvia do texto.
Tem muito cuidado ao parar nos semáforos onde ficam aqueles malabaristas com fogo. Enquanto o condutor está a assistir ao show, outro malabarista vem por trás e atira um cocktail molotov para dentro do carro! O condutor, assustado e com o carro em chamas, sai a correr desesperado. Nesse momento, surge um terceiro malabarista, que vem pela direita e atira um chimpanzé domesticado para dentro do carro, vestindo um fato com isolante térmico. Este chimpanzé, treinado na cidade do Cairo (Egito) e alimentado com damascos gigantes da Nova Guiné, rouba o auto-rádio e tudo o que houver dentro do automóvel. Enquanto isso, dois falcões peruanos de caça fazem vôos rasantes sobre a cabeça do condutor, distraindo a sua atenção para o que está a acontecer dentro do carro! Quando o chimpanzé abandona o carro, eles fogem numa trotinete motorizada verde musgo, fazendo uma pirâmide humana e cantando "Afinal Havia Outra" da Ágata, rumo a outro semáforo...
O marido da prima da vizinha da cunhada da tia de um amigo meu passou por isso, então resolvi dar o alerta.
Não é assustador? E pensar que anda gente preocupada com coisas insignificantes como os atentados bombistas e outro tipo de terrorismo. Normalmente não me amedronto facilmente com o discurso dos dirigentes do futebol - nem sequer com as telenovelas portuguesas da SIC e outras coisas arrepiantes, mas isto é demais!
Ultimamente não tenho dormido nada e a culpa é dum e-mail que recebi. Já não bastavam as preocupações que tenho por causa do Governo, do estado da Justiça e da Saúde em Portugal, das crónicas do Marcelo na TVI e das escolhas do Scolari. Agora fiquei a saber que não estou seguro em nenhum lado e tenho andado aterrorizado.
Normalmente nem abro a maioria do meu correio electrónico, por causa das campanhas de sites pornográficos ou, pior ainda, dos comentários sobre o que aqui escrevo. Às vezes recebo uns avisos esquisitos para as pessoas terem cuidado com fraudes nos telemóveis e coisas do género. Não costumo acreditar nesse tipo de coisas e muito menos faço o que me pedem e reencaminho-os, mas desta vez acho que é importante alertar a população em geral, até pela credibilidade óbvia do texto.
Tem muito cuidado ao parar nos semáforos onde ficam aqueles malabaristas com fogo. Enquanto o condutor está a assistir ao show, outro malabarista vem por trás e atira um cocktail molotov para dentro do carro! O condutor, assustado e com o carro em chamas, sai a correr desesperado. Nesse momento, surge um terceiro malabarista, que vem pela direita e atira um chimpanzé domesticado para dentro do carro, vestindo um fato com isolante térmico. Este chimpanzé, treinado na cidade do Cairo (Egito) e alimentado com damascos gigantes da Nova Guiné, rouba o auto-rádio e tudo o que houver dentro do automóvel. Enquanto isso, dois falcões peruanos de caça fazem vôos rasantes sobre a cabeça do condutor, distraindo a sua atenção para o que está a acontecer dentro do carro! Quando o chimpanzé abandona o carro, eles fogem numa trotinete motorizada verde musgo, fazendo uma pirâmide humana e cantando "Afinal Havia Outra" da Ágata, rumo a outro semáforo...
O marido da prima da vizinha da cunhada da tia de um amigo meu passou por isso, então resolvi dar o alerta.
Não é assustador? E pensar que anda gente preocupada com coisas insignificantes como os atentados bombistas e outro tipo de terrorismo. Normalmente não me amedronto facilmente com o discurso dos dirigentes do futebol - nem sequer com as telenovelas portuguesas da SIC e outras coisas arrepiantes, mas isto é demais!
terça-feira, março 02, 2004
Carta ao Rei da Jordânia
Tenho andado cheio de dores de cabeça por causa da situação económica e social portuguesa. Achei que é meu dever patriótico fazer algo, por isso resolvi escrever para o palácio do soberano da Jordânia. Porquê um país do médio oriente? Bom, uma nação europeia não me ia ligar nenhuma e, para mais, naquela região estão cheios de dinheiro do petróleo. Devem ter algum para nos dispender. Tenho a certeza que o Rei Abdullah II ficará sensibilizado com as minhas palavras – reparem na forma como consegui estabelecer paralelismos entre os dois países. Nas próximas semanas vou estar atento à caixa de correio, porque posso muito bem ter uma surpresa.
Caro Rei,
Venho por este meio pedir uma ajuda monetária para o meu país. O governo português tem andado muito preocupado com um pacto de estabilidade europeu que só vale para os pequenos países. Por isso, o Estado não tem dinheiro para melhores hospitais, escolas, espaços culturais e, pior para a economia, para o investimento nas empresas nacionais. O dinheiro que não temos vai para antros de violência, corrupção e desperdício – talvez já tenha ouvido falar, chamam-se estádios de futebol.
Como contrapartida dum generoso contributo, podemos ensinar os vossos terroristas a fazerem coisas inacreditáveis: desabar pontes inteiras através da remoção de areias, ruir edifícios sem manutenção, fazer desfalques e ficar impune, transformar as prisões em hospitais de tortura e hospitais em prisões infernais.
Ao contrário do que pode pensar à primeira vista, os nossos dois países têm muito em comum: os piors criminosos são transformados em mártires heróis, os bombistas são amnistiados pelos camaradas, os políticos são manipuladores e até muitos médicos são corruptos. Para além disso, fazem-se referendos e eleições que não servem para nada. Vossa Majestade não tinha pensado nisto tudo, pois não?
Um cheque de 1.000.000 de euros ao portador servirá para uma boa ajuda inicial e será muito bem vindo.
Porto, 3 de Março de 2004
Com os melhores cumprimentos,
Tenho andado cheio de dores de cabeça por causa da situação económica e social portuguesa. Achei que é meu dever patriótico fazer algo, por isso resolvi escrever para o palácio do soberano da Jordânia. Porquê um país do médio oriente? Bom, uma nação europeia não me ia ligar nenhuma e, para mais, naquela região estão cheios de dinheiro do petróleo. Devem ter algum para nos dispender. Tenho a certeza que o Rei Abdullah II ficará sensibilizado com as minhas palavras – reparem na forma como consegui estabelecer paralelismos entre os dois países. Nas próximas semanas vou estar atento à caixa de correio, porque posso muito bem ter uma surpresa.
Caro Rei,
Venho por este meio pedir uma ajuda monetária para o meu país. O governo português tem andado muito preocupado com um pacto de estabilidade europeu que só vale para os pequenos países. Por isso, o Estado não tem dinheiro para melhores hospitais, escolas, espaços culturais e, pior para a economia, para o investimento nas empresas nacionais. O dinheiro que não temos vai para antros de violência, corrupção e desperdício – talvez já tenha ouvido falar, chamam-se estádios de futebol.
Como contrapartida dum generoso contributo, podemos ensinar os vossos terroristas a fazerem coisas inacreditáveis: desabar pontes inteiras através da remoção de areias, ruir edifícios sem manutenção, fazer desfalques e ficar impune, transformar as prisões em hospitais de tortura e hospitais em prisões infernais.
Ao contrário do que pode pensar à primeira vista, os nossos dois países têm muito em comum: os piors criminosos são transformados em mártires heróis, os bombistas são amnistiados pelos camaradas, os políticos são manipuladores e até muitos médicos são corruptos. Para além disso, fazem-se referendos e eleições que não servem para nada. Vossa Majestade não tinha pensado nisto tudo, pois não?
Um cheque de 1.000.000 de euros ao portador servirá para uma boa ajuda inicial e será muito bem vindo.
Porto, 3 de Março de 2004
Com os melhores cumprimentos,
sexta-feira, fevereiro 20, 2004
Marte
Hoje de manhã estive a ver na TV algumas imagens das sondas a Marte. Só pergunto: para quê gastar milhões (que podiam ser utilizados a fazer guerras com países subdesenvolvidos) a fotografar um deserto noutro planeta? – Temos aqui na Terra tantos sítios sem rasto de vida inteligente (a Assembleia da República, por exemplo) e uma série de locias não habitados (o interior do país, por exemplo).
Só consigo ver duas razões para se chamar “planeta vermelho”: ou os nossos amigos marcianos são camaradas leninistas que comem criancinhas (não necessariamente no sentido casapiano); ou então, pior ainda, são todos benfiquistas esperando as velhas conquistas do passado, sem saberem que o seu suplício vai durar décadas.
Mas Marte pode ter uma série de utilidades, se soubermos explorar o potencial de um local tão longe da Terra. Por exemplo, podia ser o destino de tudo aquilo que não faz falta entre nós: os pedófilos e os advogados do “processo Casa Pia”, a Al-Qaeda e a “Greenpeace”, a família Bush e os primos socialistas, a caspa e os dirigentes do futebol. Por outro lado, quando foi noticiado que há água em Marte, foi formado um movimento de cidadãos portugueses, em cidades como a Amadora, a pedirem para serem transportados para lá, onde certamente teriam melhor abastecimento.
Devo dizer que aquelas imagens não me conveceram nada. A verdade é que por detrás das câmaras da NASA estão uma série de marcianos a apanhar sol e a ver o “Quem quer ser milionário”. Sim, tenho a certeza de que há vida inteligente em Marte – e a prova disso é que querem distância da humanidade. Aliás, também há vida noutros planetas e muitos extraterrestres visitam-nos – não vejo outra forma de explicar a existência da Roberto Leal, da Maria Vieira e do José Castel-Branco. Também acredito que há uma conspiração de alíegenas para controlar o planeta, instalados em instituições como a Microsoft, o Parlamento Europeu, o Bloco de Esquerda e a Endemol. Suponho até que um desses seres, de aspecto simiesco, comanda a maior super-potência do mundo, tentando destruir o que o Homem construiu ao longo de milénios. Outros ainda, como o Paulo Coelho e a Rita Ferro, estão decididos a espezinhar a nossa cultura e a implantar uma nova forma de linguagem sem conteúdo. Será que vão conseguir?
Hoje de manhã estive a ver na TV algumas imagens das sondas a Marte. Só pergunto: para quê gastar milhões (que podiam ser utilizados a fazer guerras com países subdesenvolvidos) a fotografar um deserto noutro planeta? – Temos aqui na Terra tantos sítios sem rasto de vida inteligente (a Assembleia da República, por exemplo) e uma série de locias não habitados (o interior do país, por exemplo).
Só consigo ver duas razões para se chamar “planeta vermelho”: ou os nossos amigos marcianos são camaradas leninistas que comem criancinhas (não necessariamente no sentido casapiano); ou então, pior ainda, são todos benfiquistas esperando as velhas conquistas do passado, sem saberem que o seu suplício vai durar décadas.
Mas Marte pode ter uma série de utilidades, se soubermos explorar o potencial de um local tão longe da Terra. Por exemplo, podia ser o destino de tudo aquilo que não faz falta entre nós: os pedófilos e os advogados do “processo Casa Pia”, a Al-Qaeda e a “Greenpeace”, a família Bush e os primos socialistas, a caspa e os dirigentes do futebol. Por outro lado, quando foi noticiado que há água em Marte, foi formado um movimento de cidadãos portugueses, em cidades como a Amadora, a pedirem para serem transportados para lá, onde certamente teriam melhor abastecimento.
Devo dizer que aquelas imagens não me conveceram nada. A verdade é que por detrás das câmaras da NASA estão uma série de marcianos a apanhar sol e a ver o “Quem quer ser milionário”. Sim, tenho a certeza de que há vida inteligente em Marte – e a prova disso é que querem distância da humanidade. Aliás, também há vida noutros planetas e muitos extraterrestres visitam-nos – não vejo outra forma de explicar a existência da Roberto Leal, da Maria Vieira e do José Castel-Branco. Também acredito que há uma conspiração de alíegenas para controlar o planeta, instalados em instituições como a Microsoft, o Parlamento Europeu, o Bloco de Esquerda e a Endemol. Suponho até que um desses seres, de aspecto simiesco, comanda a maior super-potência do mundo, tentando destruir o que o Homem construiu ao longo de milénios. Outros ainda, como o Paulo Coelho e a Rita Ferro, estão decididos a espezinhar a nossa cultura e a implantar uma nova forma de linguagem sem conteúdo. Será que vão conseguir?
segunda-feira, fevereiro 16, 2004
Monarquia à Portuguesa
Primeiro teríamos de chegar a um consenso sobre o verdadeiro pretendente ao trono: ou o D. Duarte, ou o Nuno da Câmara Pereira, ou o pasteleiro da esquina, ou o rei da música pimba. Caso não chegassemos a nenhuma conclusão, sempre podemos juntar-nos de vez a Espanha quando o Felipe Bourbon chegar ao trono – seria o Filipe III de Portugal, como antes da Restauração.
Se alguma vez quisermos convencer o povo português que a monarquia é melhor, basta dizer que teríamos muitos mais feriados, com imensas festas dos reis antigos. Para mim, homem do norte, o pior seria o advento dos fados e das touradas, em substituição do futebol e da política (respectivamente).
Mas as mudanças seriam muitas. Por exemplo, o “bolo-rei” chamar-se-ia de “bolo-presidente” e, em vez de frutos secos, traria tremoços e seria regado com aguardente. Também seriam criados novos títulos de nobreza, como o “Bisconde de Bila do Conde” para Pinto da Costa, o “Duque de Ouros” para Belmiro de Azevedo, a “Duquesa da Despesa” para Manuela Ferreira Leite e o “Barão Horroroso“ para Durão Barroso.
As revistas populares e a TVI teriam muito que falar, com a vinda a Portugal de fidalgos estrangeiros muito conhecidos, como o Don Perignon de França, o Dom De Luise dos EUA e a Dona Tela Versace de Itália. A Lili Caneças e a Cinha Jardim seriam deportadas para a Etiópia, e as novas rainhas do “jet-set” seriam princesas do norte da europa. O José Castel-Branco e o Carlos Castro iriam para o circo, em jaulas suficientemente seguras para os podermos ver de perto.
O maior problema é que teríamos de fazer uma revolução. Mas para isso bastava convencer os “Capitães de Abril” que queremos um regime estalinista. – Já estou a ver o povo a sair à rua com cravos azuis e a pedir a libertação dos presos políticos (Bibi, Carlos Cruz e companhia), exigindo que sejam elevados a heróis da pátria. De que estamos à espera?
Primeiro teríamos de chegar a um consenso sobre o verdadeiro pretendente ao trono: ou o D. Duarte, ou o Nuno da Câmara Pereira, ou o pasteleiro da esquina, ou o rei da música pimba. Caso não chegassemos a nenhuma conclusão, sempre podemos juntar-nos de vez a Espanha quando o Felipe Bourbon chegar ao trono – seria o Filipe III de Portugal, como antes da Restauração.
Se alguma vez quisermos convencer o povo português que a monarquia é melhor, basta dizer que teríamos muitos mais feriados, com imensas festas dos reis antigos. Para mim, homem do norte, o pior seria o advento dos fados e das touradas, em substituição do futebol e da política (respectivamente).
Mas as mudanças seriam muitas. Por exemplo, o “bolo-rei” chamar-se-ia de “bolo-presidente” e, em vez de frutos secos, traria tremoços e seria regado com aguardente. Também seriam criados novos títulos de nobreza, como o “Bisconde de Bila do Conde” para Pinto da Costa, o “Duque de Ouros” para Belmiro de Azevedo, a “Duquesa da Despesa” para Manuela Ferreira Leite e o “Barão Horroroso“ para Durão Barroso.
As revistas populares e a TVI teriam muito que falar, com a vinda a Portugal de fidalgos estrangeiros muito conhecidos, como o Don Perignon de França, o Dom De Luise dos EUA e a Dona Tela Versace de Itália. A Lili Caneças e a Cinha Jardim seriam deportadas para a Etiópia, e as novas rainhas do “jet-set” seriam princesas do norte da europa. O José Castel-Branco e o Carlos Castro iriam para o circo, em jaulas suficientemente seguras para os podermos ver de perto.
O maior problema é que teríamos de fazer uma revolução. Mas para isso bastava convencer os “Capitães de Abril” que queremos um regime estalinista. – Já estou a ver o povo a sair à rua com cravos azuis e a pedir a libertação dos presos políticos (Bibi, Carlos Cruz e companhia), exigindo que sejam elevados a heróis da pátria. De que estamos à espera?
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
Óscares do Provocador
Foram anunciados em Hollywood na semana passada, os candidatos anuais aos Óscares do cinema. Mas não é só por terras americanas que existe esse galardão. Aqui mesmo em Portugal, por exemplo, acabaram de ser instituídos os “Óscares do Provocador” – não são mais do que um prémio especial para as frases mais ruidosas do ano. Espera-se com isto, incentivar cada vez mais gente a ser substancialmente concludente nas afirmações e inventivamente subtil nas palavras. O júri, composto pela múltipla personalidade do “Provocador” e reunido nas catacumbas da sua sensibilidade, decidiu entregar os seguintes Óscares:
Óscar da “maior prisão de ventre” para...
Ferro Rodrigues, com a frase:
- Estou a cagar-me para a justiça!
Óscar “ainda não tínhamos reparado” para...
Manuela Moura Guedes, com o epílogo diário:
- Boa noite, eu sou a Manuela Moura Guedes!
Óscar “também vou exilar-me nas férias” para...
Fátima Felgueiras, com a afirmação:
- Sou uma exilada política!
Óscar “em Portugal chegavas a presidente” para...
Al-Sahaf, ex-ministro da informação iraquiano:
- Não há infiéis americanos em Bagdad. Nunca!
Óscar “afinal a solução era tão simples” para...
Arnold Schwarzenegger, com o inesperado:
- O casamento homossexual deve ser entre um homem e uma mulher!
Óscar “então contrata o plantel de futebol do Boavista” para...
Saddam Hussein, com o frase surda:
- Não tenho armas de destruição maciça!
Óscar “já estive com uma sereia” para...
Gorge W. Bush, com o poético:
- Sei que os seres humanos e os peixes podem coexistir pacificamente.
Foram anunciados em Hollywood na semana passada, os candidatos anuais aos Óscares do cinema. Mas não é só por terras americanas que existe esse galardão. Aqui mesmo em Portugal, por exemplo, acabaram de ser instituídos os “Óscares do Provocador” – não são mais do que um prémio especial para as frases mais ruidosas do ano. Espera-se com isto, incentivar cada vez mais gente a ser substancialmente concludente nas afirmações e inventivamente subtil nas palavras. O júri, composto pela múltipla personalidade do “Provocador” e reunido nas catacumbas da sua sensibilidade, decidiu entregar os seguintes Óscares:
Óscar da “maior prisão de ventre” para...
Ferro Rodrigues, com a frase:
- Estou a cagar-me para a justiça!
Óscar “ainda não tínhamos reparado” para...
Manuela Moura Guedes, com o epílogo diário:
- Boa noite, eu sou a Manuela Moura Guedes!
Óscar “também vou exilar-me nas férias” para...
Fátima Felgueiras, com a afirmação:
- Sou uma exilada política!
Óscar “em Portugal chegavas a presidente” para...
Al-Sahaf, ex-ministro da informação iraquiano:
- Não há infiéis americanos em Bagdad. Nunca!
Óscar “afinal a solução era tão simples” para...
Arnold Schwarzenegger, com o inesperado:
- O casamento homossexual deve ser entre um homem e uma mulher!
Óscar “então contrata o plantel de futebol do Boavista” para...
Saddam Hussein, com o frase surda:
- Não tenho armas de destruição maciça!
Óscar “já estive com uma sereia” para...
Gorge W. Bush, com o poético:
- Sei que os seres humanos e os peixes podem coexistir pacificamente.
sexta-feira, janeiro 16, 2004
Mulheres!
Tenho andando deprimido e desanimado, por isso ontem à noite fui a um daqueles bares onde as pessoas vão e se deixam ir. Precisava de ver gente nova e mulheres bonitas, por isso fui a um daqueles sítios onde se paga muito para entrar. Andei de um lado para o outro, vagueei por entre as pessoas, em busca de alguém que me fizesse sentir novamente diferente. Até que descobri, sozinha ao lado do bar, como numa aparição, a mulher dos meus sonhos: linda de morrer mas discreta, altiva mas sorridente, com feições nobres e perfeitas. Só de olhar para ela já me sentia melhor, porém arrisquei uma conversa simpática e prudente. De repente, pergunta-me inesperadamente se eu sou rico ou posso fazer obras no solar da família. Claro que neguei, mas disse-lhe que a podia fazer muito feliz. Ela respondeu:
- Como? Vai-se embora?
Que grande balde de àgua fria. Depois de conseguir respirar outra vez, fui dar uma volta. A verdade é que havia muito peixe no mar e o melhor seria deitar o anzol para esquecer aquele infeliz incidente. Fui ao encontro de uma loira com um voluptuoso silicone e disse-lhe que o seu corpo era como um templo. Ela esperguiçou-se e afirmou:
- Lamento mas hoje não há missa. É só para quem é do “jet-set”, tem Ferrari, ou é actor.
Aquela nega só me deu vontade de tentar mais uma vez. Procurei um género diferente e escolhi uma morena com aspecto sério. Pela conversa percebi que era intelectual (ou lia o “blog” do Pacheco Pereira). Estava interessada em saber se eu era escritor ou realizador, mas desviei o assunto e perguntei-lhe se me podia dar o seu nome. Desiludida, disse logo:
- Porquê? Não lhe deram um?
A noite estava a ser um falhanço e estava a fazer-se tarde. Dirigi-me para a saída. No entanto, apareceu à minha frente uma quarentona com um aspecto macho, barrando-me o caminho e lançando-me olhares sedutores. O que eu precisava era de companhia, por isso tentei saber logo o que ela queria num homem. Ela riu-se e segredou-me:
- Nada! Se os homens não existissem, as mulheres domesticariam outro animal.
Fiquei estranhamente aliviado. Saímos juntos e fomos falando sobre política pela rua. Porém, a certa altura ela parou e, assustada, disse que não tinha reparado que eu era de direita.
Não percebi aquilo e resolvi perguntar se queria sair comigo no próximo sábado. Ela fugiu, gritando:
- Lamento, mas vou estar com dores de cabeça.
Fui para casa. Preferi estar sozinho, longe até dos amigos. Só pensei no meu tio Alberto, que quando lhe disseram que a mulher o estava a trair com o melhor amigo, foi para casa e deu dois tiros no cão. As mulheres!... As mulheres são anjos... o problema é quando ainda estão vivas.
Tenho andando deprimido e desanimado, por isso ontem à noite fui a um daqueles bares onde as pessoas vão e se deixam ir. Precisava de ver gente nova e mulheres bonitas, por isso fui a um daqueles sítios onde se paga muito para entrar. Andei de um lado para o outro, vagueei por entre as pessoas, em busca de alguém que me fizesse sentir novamente diferente. Até que descobri, sozinha ao lado do bar, como numa aparição, a mulher dos meus sonhos: linda de morrer mas discreta, altiva mas sorridente, com feições nobres e perfeitas. Só de olhar para ela já me sentia melhor, porém arrisquei uma conversa simpática e prudente. De repente, pergunta-me inesperadamente se eu sou rico ou posso fazer obras no solar da família. Claro que neguei, mas disse-lhe que a podia fazer muito feliz. Ela respondeu:
- Como? Vai-se embora?
Que grande balde de àgua fria. Depois de conseguir respirar outra vez, fui dar uma volta. A verdade é que havia muito peixe no mar e o melhor seria deitar o anzol para esquecer aquele infeliz incidente. Fui ao encontro de uma loira com um voluptuoso silicone e disse-lhe que o seu corpo era como um templo. Ela esperguiçou-se e afirmou:
- Lamento mas hoje não há missa. É só para quem é do “jet-set”, tem Ferrari, ou é actor.
Aquela nega só me deu vontade de tentar mais uma vez. Procurei um género diferente e escolhi uma morena com aspecto sério. Pela conversa percebi que era intelectual (ou lia o “blog” do Pacheco Pereira). Estava interessada em saber se eu era escritor ou realizador, mas desviei o assunto e perguntei-lhe se me podia dar o seu nome. Desiludida, disse logo:
- Porquê? Não lhe deram um?
A noite estava a ser um falhanço e estava a fazer-se tarde. Dirigi-me para a saída. No entanto, apareceu à minha frente uma quarentona com um aspecto macho, barrando-me o caminho e lançando-me olhares sedutores. O que eu precisava era de companhia, por isso tentei saber logo o que ela queria num homem. Ela riu-se e segredou-me:
- Nada! Se os homens não existissem, as mulheres domesticariam outro animal.
Fiquei estranhamente aliviado. Saímos juntos e fomos falando sobre política pela rua. Porém, a certa altura ela parou e, assustada, disse que não tinha reparado que eu era de direita.
Não percebi aquilo e resolvi perguntar se queria sair comigo no próximo sábado. Ela fugiu, gritando:
- Lamento, mas vou estar com dores de cabeça.
Fui para casa. Preferi estar sozinho, longe até dos amigos. Só pensei no meu tio Alberto, que quando lhe disseram que a mulher o estava a trair com o melhor amigo, foi para casa e deu dois tiros no cão. As mulheres!... As mulheres são anjos... o problema é quando ainda estão vivas.
sexta-feira, janeiro 09, 2004
Brasil, país irmão
Ontem sonhei que estava numa praia do Rio de Janeiro, cheio de mulatas bonitas de biquini a minha volta. O melhor de tudo era estar em pleno Verão, longe do Inverno interminável daqui, do frio, das gripes fortes e da Casa Pia. Depois pus-me a pensar no Brasil, país irmão e terra longínqua.
O brasileiro fala uma língua muito complicada: o “pórtuguêix”. Utiliza frequentemente expressões incompreensíveis como “légau”, “manêra” e “cafágesti”. Embora haja muitas coisas que nos aproximem do Brasil, esta é a que mais nos afasta.
Numa análise puramente económica, pode-se dizer que o Brasil exporta para Portugal material em grosso (especialmente para o distrito de Bragança), profissionais de futebol e telenovelas; por sua vez, Portugal exporta anedotas de humor duvidoso. A maioria dos economistas dizem que o Brasil é um país do terceiro mundo: as favelas, os “sem-terra”, a insegurança e programas como o “Sai de Baixo” confirmam isso mesmo. No entanto, alguns economistas portugueses negam isso tudo, através da análise do luxo vivido por todas as personagens das telenovelas e séries.
O brasileiro típico tem todas as capacidades para ser um excelente apresentador de concursos de TV: é animado, comunicativo e manipulador. Mas talvez a maior qualidade seja a capacidade que tem de dizer, “no final tudo vai ficar numa boa.”. De facto, o trabalhador no Brasil tem uma produtividade muito baixa, mas orgulha-se disso; enquanto o português só se preocupa em fazer de conta que trabalha nas quarenta horas semanais.
Uma das características actuais e fundamentais do nosso país irmão é que é governado por um homem chamado Lula. Aqui em Portugal pensamos muito nele, principalmente quando nos assuamos. Mas agora a sério: acho muito bem a política de confrontação com os EUA, deviam invadir aquela terra de “novos-ricos” e provar que uma antiga colónia portuguesa é melhor que uma inglesa.. Podiam começar por desviar o teleférico do “Pão de Açucar” contra uma cidade americana e organizar uma marcha dos “sem-terra” em direcção a Washington.
Em suma, é pena o Brasil ser tão longe. Deviam fazer uma auto-estrada daqui até lá em vez de pagarem tanto ao “Felipão” Scolari. O dinheiro dava para fazer uma via enorme e eu, que tenho pavor de andar de avião, podia mudar de casa todos os semestres e ter Verão todo o ano.
Ontem sonhei que estava numa praia do Rio de Janeiro, cheio de mulatas bonitas de biquini a minha volta. O melhor de tudo era estar em pleno Verão, longe do Inverno interminável daqui, do frio, das gripes fortes e da Casa Pia. Depois pus-me a pensar no Brasil, país irmão e terra longínqua.
O brasileiro fala uma língua muito complicada: o “pórtuguêix”. Utiliza frequentemente expressões incompreensíveis como “légau”, “manêra” e “cafágesti”. Embora haja muitas coisas que nos aproximem do Brasil, esta é a que mais nos afasta.
Numa análise puramente económica, pode-se dizer que o Brasil exporta para Portugal material em grosso (especialmente para o distrito de Bragança), profissionais de futebol e telenovelas; por sua vez, Portugal exporta anedotas de humor duvidoso. A maioria dos economistas dizem que o Brasil é um país do terceiro mundo: as favelas, os “sem-terra”, a insegurança e programas como o “Sai de Baixo” confirmam isso mesmo. No entanto, alguns economistas portugueses negam isso tudo, através da análise do luxo vivido por todas as personagens das telenovelas e séries.
O brasileiro típico tem todas as capacidades para ser um excelente apresentador de concursos de TV: é animado, comunicativo e manipulador. Mas talvez a maior qualidade seja a capacidade que tem de dizer, “no final tudo vai ficar numa boa.”. De facto, o trabalhador no Brasil tem uma produtividade muito baixa, mas orgulha-se disso; enquanto o português só se preocupa em fazer de conta que trabalha nas quarenta horas semanais.
Uma das características actuais e fundamentais do nosso país irmão é que é governado por um homem chamado Lula. Aqui em Portugal pensamos muito nele, principalmente quando nos assuamos. Mas agora a sério: acho muito bem a política de confrontação com os EUA, deviam invadir aquela terra de “novos-ricos” e provar que uma antiga colónia portuguesa é melhor que uma inglesa.. Podiam começar por desviar o teleférico do “Pão de Açucar” contra uma cidade americana e organizar uma marcha dos “sem-terra” em direcção a Washington.
Em suma, é pena o Brasil ser tão longe. Deviam fazer uma auto-estrada daqui até lá em vez de pagarem tanto ao “Felipão” Scolari. O dinheiro dava para fazer uma via enorme e eu, que tenho pavor de andar de avião, podia mudar de casa todos os semestres e ter Verão todo o ano.
sábado, dezembro 27, 2003
A lista do Pai Natal
Este ano consegui pôr as mãos numa coisa que sempre quis desde miúdo: a lista completa de presentes dada pelo Pai Natal. Não foi fácil. Tive de subornar umas das renas (não vou mencionar nomes para evitar retaliações) e arquitectar um inteligente plano: enquanto o velho pançudo estava a ver o canal “Playboy”, ao minha aliada foi ao seu computador pessoal e imprimiu a lista de prendas a distribuir.
Era uma ambição minha há muito tempo, desde que o comuna de barrete vermelho me deu um par de peúgas quando eu havia pedido um carro telecomandado – a partir daí, enquanto as crianças perguntavam se existia o Pai Natal, eu perguntava como fazer acreditar o Pai Natal que eu existia.
Desta vez consegui, ele vai ficar com o meu nome gravado naquela memória de doente de Parkinson. Entretanto, descobri que não fui o único a receber um livro – em vez do leitor de DVD’s que pedi. A única excepção foi o filme do Spielberg “E.T. – O extraterrestre” para o José Castel-Branco e o CD dos Groove Amada “Shake That Ass” para a Marisa Cruz. Mas deixo aqui parte da lista para desmascarar de uma vez por todas esse maluco a que chamam de Pai Natal...
“O Fio da Navalha”, de Somerset Maugham para Durão Barroso
“A Naúsea”, de Jean Paul Sartre para Paulo Portas
“Economia e Finanças Públicas”, de Cavaco Silva para Manuela F. Leite
“Kaputt”, de Curzio Malaposta para Ferro Rodrigues
“Só”, de António Nobre para Jorge Sampaio
“O Inferno”, de Dante Alighieri para Paulo Pedroso
“A Queda de um Anjo”, de Camilo Castelo Branco para Carlos Cruz
“O Exorcista”, de William Peter Blatty para o Juíz Rui Teixeira
“O Anticristo” de Friedrich Nietzsche para Carlos Silvino “Bibi”
“As Mãos Sujas”, de Jean Paul Sartre para Herman José
“A Besta Humana”, de Emílio Zola para George W. Bush
“Um Homem Liquidado”, de Giovanni Papini para Tony Blair
“Catecismo da Igreja Católica” para Bispo Armindo Lopes Coelho
“A Ingénua Libertina”, de Colette para Fátima Felgueiras
“Quo Vadis”, de Henryk Siekiewicz para Cavaco Silva
Este ano consegui pôr as mãos numa coisa que sempre quis desde miúdo: a lista completa de presentes dada pelo Pai Natal. Não foi fácil. Tive de subornar umas das renas (não vou mencionar nomes para evitar retaliações) e arquitectar um inteligente plano: enquanto o velho pançudo estava a ver o canal “Playboy”, ao minha aliada foi ao seu computador pessoal e imprimiu a lista de prendas a distribuir.
Era uma ambição minha há muito tempo, desde que o comuna de barrete vermelho me deu um par de peúgas quando eu havia pedido um carro telecomandado – a partir daí, enquanto as crianças perguntavam se existia o Pai Natal, eu perguntava como fazer acreditar o Pai Natal que eu existia.
Desta vez consegui, ele vai ficar com o meu nome gravado naquela memória de doente de Parkinson. Entretanto, descobri que não fui o único a receber um livro – em vez do leitor de DVD’s que pedi. A única excepção foi o filme do Spielberg “E.T. – O extraterrestre” para o José Castel-Branco e o CD dos Groove Amada “Shake That Ass” para a Marisa Cruz. Mas deixo aqui parte da lista para desmascarar de uma vez por todas esse maluco a que chamam de Pai Natal...
“O Fio da Navalha”, de Somerset Maugham para Durão Barroso
“A Naúsea”, de Jean Paul Sartre para Paulo Portas
“Economia e Finanças Públicas”, de Cavaco Silva para Manuela F. Leite
“Kaputt”, de Curzio Malaposta para Ferro Rodrigues
“Só”, de António Nobre para Jorge Sampaio
“O Inferno”, de Dante Alighieri para Paulo Pedroso
“A Queda de um Anjo”, de Camilo Castelo Branco para Carlos Cruz
“O Exorcista”, de William Peter Blatty para o Juíz Rui Teixeira
“O Anticristo” de Friedrich Nietzsche para Carlos Silvino “Bibi”
“As Mãos Sujas”, de Jean Paul Sartre para Herman José
“A Besta Humana”, de Emílio Zola para George W. Bush
“Um Homem Liquidado”, de Giovanni Papini para Tony Blair
“Catecismo da Igreja Católica” para Bispo Armindo Lopes Coelho
“A Ingénua Libertina”, de Colette para Fátima Felgueiras
“Quo Vadis”, de Henryk Siekiewicz para Cavaco Silva
segunda-feira, dezembro 22, 2003
Céu e Inferno
Já há muito tempo que não escrevia aqui e, para dizer a verdade, cheguei a pensar que não voltaria. A questão é que tive quase a ir desta para melhor, a bater as botas, a esticar o pernil. Como foi? Bom, foi assim...
Percorri um túnel escuro e, ao fundo, uma luz clara iluminava umas escadas que subiam até ao infinito. Comecei a escalada e um milhão de degraus depois estava um homem com umas longas barbas brancas, um cajado na mão direita e umas chaves na mão esquerda. Parecia óbvio onde me encontrava: ou numa prisão para idosos, ou no Paraíso. Mas o pior é que a minha visão do Céu sempre foi um pouco infernal: pessoas de camisa de noite a tocar harpa em cima de nuvens separadas e anjinhos de asas pequenas com um ar apaneleirado, qual manjar de Carlos Cruz.
Não consigo ouvir harpa por mais de cinco minutos seguidos e as músicas que gostava de aprender devem ser grande sucesso no mundo das trevas. Para além disso, a humidade das nuvens iria fazer-me mal à sinusite. Foi, portanto, com um bocado de receio que me dirigi ao homem das barbas:
- Ó Pai Natal, não penses que me afastas das pessoas que gosto. Quero uma nuvem para dois e visitas ao Sábado, quero saber os resultados do “Glorioso” e ver os melhores filmes do ano, ...
Aconselhou-me a dar uma vista de olhos no Inferno. Aceitei de bom agrado e pus-me a caminho com um cartão de Boas Festas da parte do pessoal do Paraíso. Sempre me assustou a ideia de passar a eternidade em sofrimento sem alívio, por isso passei antes na casa de banho.
Cheguei a um sítio muito parecido com as urgências de um Hospital público. Portanto, devia estar no Inferno. Como tinha uma cunha, fui logo atendido: do meio das escuridão e do fogo, apareceu repentinamente um demónio horrível, quase tão feio como o Ferro Rodrigues. Fiquei à espera que chupasse a minha alma com a sofreguidão de quem bebe um refresco no deserto, mas em vez disso ajoelhou-se e começou a chorar destemperadamente como uma criança pequena que acabou de ver o Herman José louro. Perante aquele cenário, não resisti e comecei a berrar de medo – mas isso acabou por afligir mais ainda o estranho demónio, que implorou para que eu não fizesse barulho senão acabaria por acordar o Vasco Santana. Nesse preciso momento, uma voz familiar disse num tom gingão:
- Ó Evaristo, tens cá disto?
O pobre demónio começou a chorar mais angustiado, explicando que não aguentava aquele local desde que os actores da “revista à portuguesa” foram para ali. De facto, não estava preparado, depois de milénios com o pior da humanidade, para algo tão mau. Jurou, ainda, que quando o Camilo de Oliveira morresse, ia fugir com o Hitler, o Napoleão e mais gente pouco habituada a ver assim tanto horror e decadência.
Foi neste preciso momento que acordei encharcado em suor e cheio de febre. Estaria a sonhar? Na TV estava a dar um programa da Marina Mota. A minha pergunta foi respondida.
Já há muito tempo que não escrevia aqui e, para dizer a verdade, cheguei a pensar que não voltaria. A questão é que tive quase a ir desta para melhor, a bater as botas, a esticar o pernil. Como foi? Bom, foi assim...
Percorri um túnel escuro e, ao fundo, uma luz clara iluminava umas escadas que subiam até ao infinito. Comecei a escalada e um milhão de degraus depois estava um homem com umas longas barbas brancas, um cajado na mão direita e umas chaves na mão esquerda. Parecia óbvio onde me encontrava: ou numa prisão para idosos, ou no Paraíso. Mas o pior é que a minha visão do Céu sempre foi um pouco infernal: pessoas de camisa de noite a tocar harpa em cima de nuvens separadas e anjinhos de asas pequenas com um ar apaneleirado, qual manjar de Carlos Cruz.
Não consigo ouvir harpa por mais de cinco minutos seguidos e as músicas que gostava de aprender devem ser grande sucesso no mundo das trevas. Para além disso, a humidade das nuvens iria fazer-me mal à sinusite. Foi, portanto, com um bocado de receio que me dirigi ao homem das barbas:
- Ó Pai Natal, não penses que me afastas das pessoas que gosto. Quero uma nuvem para dois e visitas ao Sábado, quero saber os resultados do “Glorioso” e ver os melhores filmes do ano, ...
Aconselhou-me a dar uma vista de olhos no Inferno. Aceitei de bom agrado e pus-me a caminho com um cartão de Boas Festas da parte do pessoal do Paraíso. Sempre me assustou a ideia de passar a eternidade em sofrimento sem alívio, por isso passei antes na casa de banho.
Cheguei a um sítio muito parecido com as urgências de um Hospital público. Portanto, devia estar no Inferno. Como tinha uma cunha, fui logo atendido: do meio das escuridão e do fogo, apareceu repentinamente um demónio horrível, quase tão feio como o Ferro Rodrigues. Fiquei à espera que chupasse a minha alma com a sofreguidão de quem bebe um refresco no deserto, mas em vez disso ajoelhou-se e começou a chorar destemperadamente como uma criança pequena que acabou de ver o Herman José louro. Perante aquele cenário, não resisti e comecei a berrar de medo – mas isso acabou por afligir mais ainda o estranho demónio, que implorou para que eu não fizesse barulho senão acabaria por acordar o Vasco Santana. Nesse preciso momento, uma voz familiar disse num tom gingão:
- Ó Evaristo, tens cá disto?
O pobre demónio começou a chorar mais angustiado, explicando que não aguentava aquele local desde que os actores da “revista à portuguesa” foram para ali. De facto, não estava preparado, depois de milénios com o pior da humanidade, para algo tão mau. Jurou, ainda, que quando o Camilo de Oliveira morresse, ia fugir com o Hitler, o Napoleão e mais gente pouco habituada a ver assim tanto horror e decadência.
Foi neste preciso momento que acordei encharcado em suor e cheio de febre. Estaria a sonhar? Na TV estava a dar um programa da Marina Mota. A minha pergunta foi respondida.
quinta-feira, novembro 27, 2003
Previsão "astronómica" para 2004
Os EUA considerarão Portugal como parte do “Eixo do Mal”. Desembarcarão em Leça, Peniche, Cascais e Portimão, a partir da base das Lages. Na declaração inicial, Bush irá vangloriar-se pela libertação, dos arquipélagos dos Açores e Madeira, do colonialismo racista português – evidentemente, Alberto João Jardim será expulso e irá viver para o Brasil, onde poderá usufruir do carnaval carioca.
A resistência lusitana no continente será nula, muito por culpa do contigente da GNR ao serviço da coligação americana (contribuição do Governo para a invasão), grande conhecedor do terreno. Tal como no 25 de Abril, a população sairá à rua para aplaudir os libertadores, e as gerações vindouras irão orgulhosamente falar do sangue não derramado durante a invasão. Da prisão sairão os suspeitos de pedofilia, considerados presos políticos – Carlos Cruz sairá das “câmaras de tortura” ao colo da população, mas logo partirá para o Rio de Janeiro, onde fará um programa de TV muito aclamado, juntamente com o Michael Jackson, chamado “os meninos das favelas”. Arnold Schwarzeneger será o líder do primeiro governo provisório e terá como ajudantes os inseparáveis Manuel Monteiro e Paulo Portas.
O Algarve será definitivamente entregue aos ingleses, que arrasarão todos os prédios, hospitais e museus, para construção de vivendas e campos de golfe – o único português autorizado a entrar no espaço será o amado jovem Cristiano Ronaldo, agora encarregado da limpeza dos balneários.
Os antigos líderes do governo deposto serão deportados para o Alasca, juntamente com os homens poderosos de Portugal. O Belmiro de Azevedo irá abrir uma mercearia, a Manuela Ferreira Leite fará as contas e o José Durão Barroso limpará o chão, dizendo a cada minuto, “Eu pensei que o George W. Se iria lembrar de mim...”
Em terras lusas, continuarão a dar o “Big Brother” e a “Praça da Alegria”, mas em vez de telenovelas brasileiras, passarão filmes do líder do primeiro governo. No “Big Brother 25”, o musculado Juiz Luís Teixeira dará um pontapé na Teresa Guilherme, mas o vencedor será um homem cinzento e inofensivo chamado Carlos Carvalhas. No “Big Brother 26” a produção irá esquecer-se de dar de comer aos concorrentes e nem os libertará, porque já não haverá audiências- o público perderá definitivamente todo o interesse. Em relação ao “Euro 2004”, claro que vai ser cancelado, e os estádios serão utilizados para futebol americano e basebol – as estrelas portuguesas serão, respectivamente, Sá pinto e Paulino Santos (por terem experiência em socos e pontapés), e Manuel Luís Goucha e Herman José (por poderem utilizar tacos em público). Francisco Louçã será o novo galã do “Jet-Set” e irá todos os dias à missa, gravando mais tarde um disco com o Padre Luís Borga.
Haverá somente dois partidos políticos: à frente do liberal (ou miguelista) estará o D. Duarte Pio, e do conservador (ou absolutista) estará o Nuno da Câmara Pereira. O presidente da Câmara do Porto será o Jorge Nuno Pinto da Costa, cuja primeira medida será pôr um “F” e um “C” no rótulo das garrafas de vinho do Porto. O Presidente da Câmara de Lisboa será Paulo Pedroso, que criará uma obra maior que a do Padre Américo para auxílio das crianças indefesas – Carlos Silvino será o número dois.
No final do ano, o presidente George Bush (que entretanto vencerá as presidenciais americanas contra o seu filho, num processo fraudulento) irá proclamar a vitória final e a saída definitiva das tropas, em descanso nas praias do Alentejo, dali a cinco anos.
Os EUA considerarão Portugal como parte do “Eixo do Mal”. Desembarcarão em Leça, Peniche, Cascais e Portimão, a partir da base das Lages. Na declaração inicial, Bush irá vangloriar-se pela libertação, dos arquipélagos dos Açores e Madeira, do colonialismo racista português – evidentemente, Alberto João Jardim será expulso e irá viver para o Brasil, onde poderá usufruir do carnaval carioca.
A resistência lusitana no continente será nula, muito por culpa do contigente da GNR ao serviço da coligação americana (contribuição do Governo para a invasão), grande conhecedor do terreno. Tal como no 25 de Abril, a população sairá à rua para aplaudir os libertadores, e as gerações vindouras irão orgulhosamente falar do sangue não derramado durante a invasão. Da prisão sairão os suspeitos de pedofilia, considerados presos políticos – Carlos Cruz sairá das “câmaras de tortura” ao colo da população, mas logo partirá para o Rio de Janeiro, onde fará um programa de TV muito aclamado, juntamente com o Michael Jackson, chamado “os meninos das favelas”. Arnold Schwarzeneger será o líder do primeiro governo provisório e terá como ajudantes os inseparáveis Manuel Monteiro e Paulo Portas.
O Algarve será definitivamente entregue aos ingleses, que arrasarão todos os prédios, hospitais e museus, para construção de vivendas e campos de golfe – o único português autorizado a entrar no espaço será o amado jovem Cristiano Ronaldo, agora encarregado da limpeza dos balneários.
Os antigos líderes do governo deposto serão deportados para o Alasca, juntamente com os homens poderosos de Portugal. O Belmiro de Azevedo irá abrir uma mercearia, a Manuela Ferreira Leite fará as contas e o José Durão Barroso limpará o chão, dizendo a cada minuto, “Eu pensei que o George W. Se iria lembrar de mim...”
Em terras lusas, continuarão a dar o “Big Brother” e a “Praça da Alegria”, mas em vez de telenovelas brasileiras, passarão filmes do líder do primeiro governo. No “Big Brother 25”, o musculado Juiz Luís Teixeira dará um pontapé na Teresa Guilherme, mas o vencedor será um homem cinzento e inofensivo chamado Carlos Carvalhas. No “Big Brother 26” a produção irá esquecer-se de dar de comer aos concorrentes e nem os libertará, porque já não haverá audiências- o público perderá definitivamente todo o interesse. Em relação ao “Euro 2004”, claro que vai ser cancelado, e os estádios serão utilizados para futebol americano e basebol – as estrelas portuguesas serão, respectivamente, Sá pinto e Paulino Santos (por terem experiência em socos e pontapés), e Manuel Luís Goucha e Herman José (por poderem utilizar tacos em público). Francisco Louçã será o novo galã do “Jet-Set” e irá todos os dias à missa, gravando mais tarde um disco com o Padre Luís Borga.
Haverá somente dois partidos políticos: à frente do liberal (ou miguelista) estará o D. Duarte Pio, e do conservador (ou absolutista) estará o Nuno da Câmara Pereira. O presidente da Câmara do Porto será o Jorge Nuno Pinto da Costa, cuja primeira medida será pôr um “F” e um “C” no rótulo das garrafas de vinho do Porto. O Presidente da Câmara de Lisboa será Paulo Pedroso, que criará uma obra maior que a do Padre Américo para auxílio das crianças indefesas – Carlos Silvino será o número dois.
No final do ano, o presidente George Bush (que entretanto vencerá as presidenciais americanas contra o seu filho, num processo fraudulento) irá proclamar a vitória final e a saída definitiva das tropas, em descanso nas praias do Alentejo, dali a cinco anos.
segunda-feira, novembro 10, 2003
O fandango
Ontem à noite sonhei que estava perdido num enorme campo com poucas árvores. A lua cheia iluminava tudo em meu redor e sentia-se um cheiro forte a natureza. Vi uma vaca e como estava com sede, mungi até sair leite. De repente, apareceu um campino, que me disse que aquilo era um touro. Fugi o mais que pude e, olhando para trás, fiquei aterrorizado ao ver o campino a dançar o fandango com o touro – não uma dança qualquer, mas o fandango!
Subitamente, apareci no Iraque. Estava um sol abrasador, por isso busquei refúgio na primeira sombra que encontrei. Enquanto limpava o suor do rosto, um árabe surgiu do nada e tocou-me no ombro. Permaneci estático alguns segundos e tentei explicar com gestos que odeio o Bush e o demónio ocidental. Ele sorriu e disse-me, num inglês com sotaque americano, que só lhe apetecia dançar o fandango comigo – não uma dança qualquer, mas o fandango!
Corri o mais que pude dali para fora, até chegar a Israel. Fiquei comovido por estar no sítio onde Cristo viveu e pensei como o mundo estava diferente passados dois mil anos. Atrás de mim estava um soldado judeu com a arma apontada à minha cara. Perguntou-me se eu era palestiniano, mas respondi corajosamente que sou cristão. A face dele modificou-se, deu uma gargalhada e convidou-me para jantar com a família. Quando chegámos a sua casa, despiu o uniforme, apresentou-me ao pai Herodes e o avô Judas, e puseram-se a dançar o fandango – não uma dança qualquer, mas o fandango!
Sem saber como, caí no meio de uma selva africana. De centenas de palhotas, saíram milhares de pretos com um ar pouco amistoso. Perguntei-lhes se eram canibais e eles responderam que não, mas como estavam com fome, me iam comer. Desesperado, disse-lhes que tinha uma mulher grávida, mas logo retorquiram que não gostavam de carne com bicho. Puseram-me num caldeirão a ferver e começaram a dançar o fandango à minha volta - não uma dança qualquer, mas o fandango!
Acordei encharcado e cheio de febre. Ouvi uma música familiar, vinda do sonho. Ainda pensei estar com alucinações, porém era tudo bem real. Abri as cortinas do quarto e, olhando para a rua, vi toda a gente a dançar – o barbeiro, o advogado, a merceeira, o médico, a cabeleireira – em cima dos carros parados, nas varandas das casas, em todo o lado. Pulei para cima da cama e pus-me também a dançar – não uma dança qualquer, mas o fandango!
Ontem à noite sonhei que estava perdido num enorme campo com poucas árvores. A lua cheia iluminava tudo em meu redor e sentia-se um cheiro forte a natureza. Vi uma vaca e como estava com sede, mungi até sair leite. De repente, apareceu um campino, que me disse que aquilo era um touro. Fugi o mais que pude e, olhando para trás, fiquei aterrorizado ao ver o campino a dançar o fandango com o touro – não uma dança qualquer, mas o fandango!
Subitamente, apareci no Iraque. Estava um sol abrasador, por isso busquei refúgio na primeira sombra que encontrei. Enquanto limpava o suor do rosto, um árabe surgiu do nada e tocou-me no ombro. Permaneci estático alguns segundos e tentei explicar com gestos que odeio o Bush e o demónio ocidental. Ele sorriu e disse-me, num inglês com sotaque americano, que só lhe apetecia dançar o fandango comigo – não uma dança qualquer, mas o fandango!
Corri o mais que pude dali para fora, até chegar a Israel. Fiquei comovido por estar no sítio onde Cristo viveu e pensei como o mundo estava diferente passados dois mil anos. Atrás de mim estava um soldado judeu com a arma apontada à minha cara. Perguntou-me se eu era palestiniano, mas respondi corajosamente que sou cristão. A face dele modificou-se, deu uma gargalhada e convidou-me para jantar com a família. Quando chegámos a sua casa, despiu o uniforme, apresentou-me ao pai Herodes e o avô Judas, e puseram-se a dançar o fandango – não uma dança qualquer, mas o fandango!
Sem saber como, caí no meio de uma selva africana. De centenas de palhotas, saíram milhares de pretos com um ar pouco amistoso. Perguntei-lhes se eram canibais e eles responderam que não, mas como estavam com fome, me iam comer. Desesperado, disse-lhes que tinha uma mulher grávida, mas logo retorquiram que não gostavam de carne com bicho. Puseram-me num caldeirão a ferver e começaram a dançar o fandango à minha volta - não uma dança qualquer, mas o fandango!
Acordei encharcado e cheio de febre. Ouvi uma música familiar, vinda do sonho. Ainda pensei estar com alucinações, porém era tudo bem real. Abri as cortinas do quarto e, olhando para a rua, vi toda a gente a dançar – o barbeiro, o advogado, a merceeira, o médico, a cabeleireira – em cima dos carros parados, nas varandas das casas, em todo o lado. Pulei para cima da cama e pus-me também a dançar – não uma dança qualquer, mas o fandango!
quinta-feira, novembro 06, 2003
Dah!
Ontem de manhã acordei num quarto estranho, numa cidade diferente, num país desconhecido, num planeta misterioso. Cedo reparei que lá só se falava uma língua complicada, muito elaborada, assim com palavras como:
- Dah!
O quarto parecia parecido com o meu e a mulher ao meu lado era tal e qual a com que me deitei na noite anterior. A única diferença é que, em vez de falar, ela fazia:
- Dah!
Liguei o rádio e ouvi o mesmo estranho vocábulo, por isso logo o desliguei e corri para a televisão – estava um grupo de rapazes e raparigas a rirem-se por serem da geração...
- Dah!
Tentei não entrar em pânico e corri para o emprego, como se não se tivesse passado nada.
Fui ao gabinete do meu chefe, pedi desculpa, entrei e disse-lhe que estava há seis meses sem receber. Ele respondeu que eu estava desculpado e acrescentou:
- Dah!
Fui almoçar e pedi ao empregado do restaurante que me desse algo que nunca tivesse andado na boca de animais. Ele aconselhou-me um ovo cozido e disse:
- Dah!
O ovo cozido estava intragável, por isso mandei chamar o gerente. O empregado avisou-me que o gerente também não ia conseguir comer aquele ovo e virou-me as costas, troçando:
- Dah!
Não aguentei mais. Saí do restaurante e entrei numa igreja em busca de paz. À entrada estava um pobre paralítico a pedir esmola. Reparei que no Domingo ele estava cego e perguntei-lhe o que aconteceu. Ele retorquiu que dantes só lhe davam moedas falsas e berrou:
- Dah!
Decidi ir a um psiquiatra. Entrei e sentei-me no último banco livre da sala de espera. Um maluco dizia a todos que era S. Pedro porque Deus lhe havia dito isso. O homem que estava ao meu lado segredou-me que era mentira, pois não lhe tinha dito nada. Eu pensei:
- Dah!
Fui para casa, deitei-me e rezei para que todo aquele dia tivesse sido um sonho. Depois de algum esforço e muitos medicamentos adormeci. E hoje acordei num quarto estranho, numa cidade diferente, num país desconhecido, num planeta misterioso. Cedo reparei que lá só se falava uma língua complicada, muito elaborada, assim com palavras como:
- Dah!
Ontem de manhã acordei num quarto estranho, numa cidade diferente, num país desconhecido, num planeta misterioso. Cedo reparei que lá só se falava uma língua complicada, muito elaborada, assim com palavras como:
- Dah!
O quarto parecia parecido com o meu e a mulher ao meu lado era tal e qual a com que me deitei na noite anterior. A única diferença é que, em vez de falar, ela fazia:
- Dah!
Liguei o rádio e ouvi o mesmo estranho vocábulo, por isso logo o desliguei e corri para a televisão – estava um grupo de rapazes e raparigas a rirem-se por serem da geração...
- Dah!
Tentei não entrar em pânico e corri para o emprego, como se não se tivesse passado nada.
Fui ao gabinete do meu chefe, pedi desculpa, entrei e disse-lhe que estava há seis meses sem receber. Ele respondeu que eu estava desculpado e acrescentou:
- Dah!
Fui almoçar e pedi ao empregado do restaurante que me desse algo que nunca tivesse andado na boca de animais. Ele aconselhou-me um ovo cozido e disse:
- Dah!
O ovo cozido estava intragável, por isso mandei chamar o gerente. O empregado avisou-me que o gerente também não ia conseguir comer aquele ovo e virou-me as costas, troçando:
- Dah!
Não aguentei mais. Saí do restaurante e entrei numa igreja em busca de paz. À entrada estava um pobre paralítico a pedir esmola. Reparei que no Domingo ele estava cego e perguntei-lhe o que aconteceu. Ele retorquiu que dantes só lhe davam moedas falsas e berrou:
- Dah!
Decidi ir a um psiquiatra. Entrei e sentei-me no último banco livre da sala de espera. Um maluco dizia a todos que era S. Pedro porque Deus lhe havia dito isso. O homem que estava ao meu lado segredou-me que era mentira, pois não lhe tinha dito nada. Eu pensei:
- Dah!
Fui para casa, deitei-me e rezei para que todo aquele dia tivesse sido um sonho. Depois de algum esforço e muitos medicamentos adormeci. E hoje acordei num quarto estranho, numa cidade diferente, num país desconhecido, num planeta misterioso. Cedo reparei que lá só se falava uma língua complicada, muito elaborada, assim com palavras como:
- Dah!
segunda-feira, novembro 03, 2003
O funeral
A manhã acordou cinzenta, triste. Os sinos da igreja perto de minha casa anunciavam que um funeral acabava de sair da capela mortuária. Seria a D. Odete, uma velha vizinha comunista que já está para morrer há décadas? Seria o Sr. Aníbal, que está ligado à máquina do hospital desde as guerras napoleónicas?
A minha curiosidade mórbida levou-me até ao cemitério onde o funeral estava a decorrer – juro que não é usual isto acontecer, mas o aglomerado de gente que por ali estava, aguçou-me ainda mais o interesse. Aproximei-me o suficiente para conseguir ouvir as exéquias fúnebres do padre:
-...todos os que convivíamos com o nosso irmão, sabíamos que ele andava triste, desanimado, deprimido e sem aspirações; contudo ninguém podia prever o que aconteceu...
À minha frente, uma senhora irritante falava demasiado alto para eu conseguir ouvir o padre. No meio dos disparates, ela dizia ter visto o espírito do falecido na televisão. Receei que a mulher devesse ter visto demasiadas vezes o “Poltergeist” e concentrei-me no discurso do padre:
-...estava ele, no início duma tempestade, a falar ao telemóvel com os amigos, quando um raio vindo do céu o atingiu inesperadamente...
Entretanto, a senhora irritante não parava de falar. Dizia coisas sem nexo como, “Ás vezes os mortos não sabem que morreram e a sua alma vagueia por entre os vivos durante muito tempo”. Cansado de ouvir baboseiras, fui tomar um café ali ao lado e fiquei a ver ao longe os ritos fúnebres. Esperei que todos se fossem embora e fui ao encontro da campa do falecido. Uma lápide de mármore tinha enormes letras que diziam:
- AQUI JAZ FERRO
A manhã acordou cinzenta, triste. Os sinos da igreja perto de minha casa anunciavam que um funeral acabava de sair da capela mortuária. Seria a D. Odete, uma velha vizinha comunista que já está para morrer há décadas? Seria o Sr. Aníbal, que está ligado à máquina do hospital desde as guerras napoleónicas?
A minha curiosidade mórbida levou-me até ao cemitério onde o funeral estava a decorrer – juro que não é usual isto acontecer, mas o aglomerado de gente que por ali estava, aguçou-me ainda mais o interesse. Aproximei-me o suficiente para conseguir ouvir as exéquias fúnebres do padre:
-...todos os que convivíamos com o nosso irmão, sabíamos que ele andava triste, desanimado, deprimido e sem aspirações; contudo ninguém podia prever o que aconteceu...
À minha frente, uma senhora irritante falava demasiado alto para eu conseguir ouvir o padre. No meio dos disparates, ela dizia ter visto o espírito do falecido na televisão. Receei que a mulher devesse ter visto demasiadas vezes o “Poltergeist” e concentrei-me no discurso do padre:
-...estava ele, no início duma tempestade, a falar ao telemóvel com os amigos, quando um raio vindo do céu o atingiu inesperadamente...
Entretanto, a senhora irritante não parava de falar. Dizia coisas sem nexo como, “Ás vezes os mortos não sabem que morreram e a sua alma vagueia por entre os vivos durante muito tempo”. Cansado de ouvir baboseiras, fui tomar um café ali ao lado e fiquei a ver ao longe os ritos fúnebres. Esperei que todos se fossem embora e fui ao encontro da campa do falecido. Uma lápide de mármore tinha enormes letras que diziam:
- AQUI JAZ FERRO
sexta-feira, outubro 31, 2003
A minha tia
Hoje é dia de Halloween. Foi o que deduzi logo depois de ter tido a visita da minha tia ribatejana logo às dez horas da manhã. Bom, não posso dizer mal dela porque recebi como presente um pijama - fiquei tão contente que só o vou tirar para ir para a cama. A minha tia é muito alta, tão alta que quando come um iogurte chega à barriga fora de validade – mas o que me enerva nela é que leva uma vida muito diferente do resto da família: muito agitada. Tenho a certeza de que se ela fosse uma vaca, em vez de dar leite, dava manteiga.
De vez em quando, ela aparece e eu sinto que tenho a obrigação de lhe dar atenção. Ela já tem uma certa idade e a mãe, uma famosa tenor, morreu há pouco tempo – era tão velha que nos últimos tempos teve de formar um trio: ela cantava e as outras duas amparavam-na.
O pior é que a minha saudável tia é uma hipocondríaca paranóica. Hoje estava toda contente porque o médico lhe tinha dado uma boa notícia: a doença dela ia ter o seu nome. Coitada da minha tia: para ela, a vida é uma doença sexualmente transmissível. Sim, para a aturar é preciso ter paciência – e tê-la é muito complicado, requer anos de treino monástico ou dizer-se uma palavra secreta antes de dormir. Qual? Amanhã digo...
Hoje é dia de Halloween. Foi o que deduzi logo depois de ter tido a visita da minha tia ribatejana logo às dez horas da manhã. Bom, não posso dizer mal dela porque recebi como presente um pijama - fiquei tão contente que só o vou tirar para ir para a cama. A minha tia é muito alta, tão alta que quando come um iogurte chega à barriga fora de validade – mas o que me enerva nela é que leva uma vida muito diferente do resto da família: muito agitada. Tenho a certeza de que se ela fosse uma vaca, em vez de dar leite, dava manteiga.
De vez em quando, ela aparece e eu sinto que tenho a obrigação de lhe dar atenção. Ela já tem uma certa idade e a mãe, uma famosa tenor, morreu há pouco tempo – era tão velha que nos últimos tempos teve de formar um trio: ela cantava e as outras duas amparavam-na.
O pior é que a minha saudável tia é uma hipocondríaca paranóica. Hoje estava toda contente porque o médico lhe tinha dado uma boa notícia: a doença dela ia ter o seu nome. Coitada da minha tia: para ela, a vida é uma doença sexualmente transmissível. Sim, para a aturar é preciso ter paciência – e tê-la é muito complicado, requer anos de treino monástico ou dizer-se uma palavra secreta antes de dormir. Qual? Amanhã digo...
quarta-feira, outubro 29, 2003
- Estou a cagar-me para a justiça!
Hoje acordei sobressaltado com a campainha da porta. Era o meu primo, que queria ir à casa de banho e, como não havia papel higiénico, pediu-me um jornal. Peguei num diário que tinha como destaque as palavras de um político:
- Estou a cagar-me para a justiça!
Sentei-me à frente da televisão, mas não tinha o comando por perto. Procurei pela sala inteira o raio do comando e, como sou teimoso, recusei-me a mudar de canal manualmente. Fiquei a ver “O juiz decide” e, a cada minuto, murmurei:
- Estou a cagar-me para a justiça!
A meio da tarde decidi que não ia trabalhar, porque neste país posso meter baixa quando e como quiser. Eu sei que não é justo, mas...
- Estou a cagar-me para a justiça!
À noite, entrei no meu Porsche e acelerei até à discoteca mais próxima. Um polícia mandou-me parar e, antes que ele pudesse dizer alguma coisa, gritei-lhe:
- Estou a cagar-me para a justiça!
Consegui chegar ao meu destino, apesar de ter tido que recompensar o PSP. E para entrar na discoteca tive que fazer o mesmo ao segurança. Os cromos que estavam na fila insultaram-me, mas eu trocei:
- Estou a cagar-me para a justiça!
De repente, apareceu uma mulher linda (daquelas que só vemos no canal Playboy) com um vestido com menos tecido que a minha gravata. Ela olhou para as outras mulheres, aproximou-se de mim e disse:
- Estou a cagar-me para a justiça!
Chegamos a minha causa poucos minutos depois e passados alguns segundos estávamos despidos. Fiquei extasiado a ver aquele corpo monumental à minha frente, mas quando ela percebeu que eu não tinha preservativo, despediu-se e segredou-me ao ouvido:
- Estou a cagar-me para a justiça!
É por esta e por outras que, quando me encontrar com Deus no “Dia do juízo final”, lhe vou dizer na cara:
- Estou a cagar-me para a justiça!
Hoje acordei sobressaltado com a campainha da porta. Era o meu primo, que queria ir à casa de banho e, como não havia papel higiénico, pediu-me um jornal. Peguei num diário que tinha como destaque as palavras de um político:
- Estou a cagar-me para a justiça!
Sentei-me à frente da televisão, mas não tinha o comando por perto. Procurei pela sala inteira o raio do comando e, como sou teimoso, recusei-me a mudar de canal manualmente. Fiquei a ver “O juiz decide” e, a cada minuto, murmurei:
- Estou a cagar-me para a justiça!
A meio da tarde decidi que não ia trabalhar, porque neste país posso meter baixa quando e como quiser. Eu sei que não é justo, mas...
- Estou a cagar-me para a justiça!
À noite, entrei no meu Porsche e acelerei até à discoteca mais próxima. Um polícia mandou-me parar e, antes que ele pudesse dizer alguma coisa, gritei-lhe:
- Estou a cagar-me para a justiça!
Consegui chegar ao meu destino, apesar de ter tido que recompensar o PSP. E para entrar na discoteca tive que fazer o mesmo ao segurança. Os cromos que estavam na fila insultaram-me, mas eu trocei:
- Estou a cagar-me para a justiça!
De repente, apareceu uma mulher linda (daquelas que só vemos no canal Playboy) com um vestido com menos tecido que a minha gravata. Ela olhou para as outras mulheres, aproximou-se de mim e disse:
- Estou a cagar-me para a justiça!
Chegamos a minha causa poucos minutos depois e passados alguns segundos estávamos despidos. Fiquei extasiado a ver aquele corpo monumental à minha frente, mas quando ela percebeu que eu não tinha preservativo, despediu-se e segredou-me ao ouvido:
- Estou a cagar-me para a justiça!
É por esta e por outras que, quando me encontrar com Deus no “Dia do juízo final”, lhe vou dizer na cara:
- Estou a cagar-me para a justiça!
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