Monarquia à Portuguesa
Primeiro teríamos de chegar a um consenso sobre o verdadeiro pretendente ao trono: ou o D. Duarte, ou o Nuno da Câmara Pereira, ou o pasteleiro da esquina, ou o rei da música pimba. Caso não chegassemos a nenhuma conclusão, sempre podemos juntar-nos de vez a Espanha quando o Felipe Bourbon chegar ao trono – seria o Filipe III de Portugal, como antes da Restauração.
Se alguma vez quisermos convencer o povo português que a monarquia é melhor, basta dizer que teríamos muitos mais feriados, com imensas festas dos reis antigos. Para mim, homem do norte, o pior seria o advento dos fados e das touradas, em substituição do futebol e da política (respectivamente).
Mas as mudanças seriam muitas. Por exemplo, o “bolo-rei” chamar-se-ia de “bolo-presidente” e, em vez de frutos secos, traria tremoços e seria regado com aguardente. Também seriam criados novos títulos de nobreza, como o “Bisconde de Bila do Conde” para Pinto da Costa, o “Duque de Ouros” para Belmiro de Azevedo, a “Duquesa da Despesa” para Manuela Ferreira Leite e o “Barão Horroroso“ para Durão Barroso.
As revistas populares e a TVI teriam muito que falar, com a vinda a Portugal de fidalgos estrangeiros muito conhecidos, como o Don Perignon de França, o Dom De Luise dos EUA e a Dona Tela Versace de Itália. A Lili Caneças e a Cinha Jardim seriam deportadas para a Etiópia, e as novas rainhas do “jet-set” seriam princesas do norte da europa. O José Castel-Branco e o Carlos Castro iriam para o circo, em jaulas suficientemente seguras para os podermos ver de perto.
O maior problema é que teríamos de fazer uma revolução. Mas para isso bastava convencer os “Capitães de Abril” que queremos um regime estalinista. – Já estou a ver o povo a sair à rua com cravos azuis e a pedir a libertação dos presos políticos (Bibi, Carlos Cruz e companhia), exigindo que sejam elevados a heróis da pátria. De que estamos à espera?